O Comportamento Alimentar do Callithrix penicillata na Reserva Biológica Surucuá, no município de Campo Grande / MS

* Autor: Karina Ribeiro da Silva | Publicado em 28/03/2009


RIBEIRO, K, P, S¹, MELO ,W, F2

Departamento de Comportamento Animal, Universidade Católica Dom Bosco, Av. Tamandaré, 6000. Jd. Seminário. CEP: 79117-900. Campo Grande, Mato Grosso do Sul - MS, Brasil. E-mail: krpsilva@yahoo.com.br;kety_rpsilva@hotmail.com

INTRODUÇÃO

Primata é uma das vinte ordens de mamíferos placentários que conservou características primitivas e teve uma ampla adaptação a diferentes hábitos e habitat.

A família Callitrichidae possui os menores antropóides do mundo. São primatas de pequeno porte, vivem em matas ciliares que bordejam os córregos, utilizam também os cerrados, adaptados à vida arbórea e se locomovem na dimensão horizontal e vertical do estrato arbóreo, facilitando sobremaneira o deslocamento entre galhos grandes e pequenos e nos troncos das árvores, onde fazem o forrageamento (FERRARI, 1996).

Com um repertório comportamental muito rico, adapta-se bem à vida em cativeiro. Suas caudas têm sempre o comprimento maior do que a cabeça e o corpo, tendo assim a função de garantir o equilíbrio do animal (AURICCHIO, 1995). Eles exibem uma grande adaptabilidade à ambientes com excessiva atividade antrópica (AHLBORN e ROTHE, 1999) e estão entre os menores primatas neotropicais, com tamanho entre 20 e 30 cm e peso entre 250 a 600g (STEVENSON & RYLANDS, 1988).

Os sagüis geralmente alimentam-se de frutos, flores, brotos, insetos, pequenos vertebrados, sementes, moluscos, ovos de aves, e gomas (resina liberada por algumas espécies de árvores, composta por açucares e sais minerais), ricos em proteínas. Para melhor utilização de fontes alimentares, cada espécie desenvolve o tamanho médio de seus grupos no aproveitamento dos recursos naturais. Diferenças no tamanho da área de vida e no padrão de uso do espaço em primatas parece ser uma resposta às variáveis ambientais e sociais tais como distribuição e abundância das fontes alimentares, disponibilidade de água, locais para pernoite, disponibilidade de parceiros sexuais, presença ou ausência de competidores e/ou predadores, bem como tamanho do corpo e necessidades metabólicas (CASTRO, 2003).

Cada grupo social ocupa uma determinada área denominada de área da vida. Alguns autores têm verificado que as diferenças no tamanho de área de vida e no padrão do uso do espaço, nas espécies do gênero Callithrix Erxleben, 1777, são 3  influenciadas pela estrutura e composição florística do habitat, pela distribuição e abundância de invertebrados, frutos e árvores de goma, bem como pela presença de grupos vizinhos (RYLANDS, 1986; SCANLON et al.,1989 ).

Os calitriquídeos são considerados insetívoros-frugívoros por (REDFORD et al. 1984). No entanto, o gênero Callithrix apresenta incisivos inferiores propícios a escarificar (perfurar) as cascas de árvores gumíferas, mandíbula em forma de V (COIMBRA-FILHO, 1972), e adaptações no trato gastrointestinal para ingestão de goma (HERSHKOVITZ, 1977). A presença de garras, em vez de unhas, também favorece a pegar a goma, possibilitando posturas adequadas durante a escarificação os troncos das árvores (SANTEE & FARIA, 1985).

Os calitriquídeos apresentam um comportamento de marcação de cheiro, relacionado à alimentação, ao consumir goma e a resina produzida pelas árvores, urinam sobre o orifício ou esfregam a genitália, marcando o local. Possivelmente esperam assim protegê-lo de competições ou simplesmente facilitar o reencontro da perfuração, já que precisa que ocorra a secreção de exsudatos.

Apesar de alguns estudos analisarem o comportamento alimentar de calitríquideos como insetívoros, frugívoros e gumívoros, ainda são necesários mais informações quanto ao forrageamento de espécies do gênero Callithrix. Uma das questões importantes é se a dieta alimentar modifica qualidade e quantitativamente em função da disponibilidade de alimentos em sua área de vida.

Nesse sentido, o objetivo geral deste trabalho é analisar o comportamento alimentar de um grupo de Callithrix penicillata (Sagüis-de-tufo-preto) e seu papel enquanto dispersor de sementes no uso do espaço localizado na Reserva Biológica Surucuá, durante a estação de chuva.

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* Karina Ribeiro da Silva: Tenho graduação em Biologia pela Universidade Católica Dom Bosco (2007), experiência na área de Zoologia e Ecologia, com ênfase em Comportamento Animal ,laboratório e Taxidermia, atuando principalmente nos seguintes temas: reserva natural, sagüi-de-tufo-preto e gomívoro-frugívoro.


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