Resenha do Artigo Des-Construindo a Didática de Akiko Santos

* Autor: Gelison Rony França de Jesus | Publicado em 17/06/2009


SANTOS, Akiko. Des-construindo a didática. Revista Universidade Rural, Seropédica-RJ, v. 23, p. 67-75, 2001.

Akiko Santos possui graduação em Licenciatura em Letras pela Universidade de Brasília, especialização em Orientação Educacional pela Universidade Estadual da Paraíba, Mestrado em Educação de Adultos pela Universidade Federal da Paraíba e Doutorado em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Atualmente é funcionário da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O tema deste trabalho é estudar didática, com base num novo problema da orientação. O autor prossegue a distinção, e de demitir, alguns dos seus próprios ancestrais e íntimos conceitos na perspectiva da investigação e implementação de uma outra didática. O texto é baseado no argumento chamado cenário epistemológico da complexidade.

Falar de didática vai além do uso de uma mera teoria educacional, ou seja, a prática é de fator de grande importância. Porém, o que vemos em muitas instituições é a didática sendo aplicada de forma conturbada e rotulada, pois é tida como um livro de receitas prontas de métodos e técnicas que serão utilizadas dentro da sala de aula, visando assim uma construção de conhecimento. Grande parte das instituições educacionais, possuem o "receituário" pronto onde os professores são orientados a desenvolverem suas atividades sem fugir do padrão da instituição.

Percebe-se com isso que a educação, ou melhor, a didática em si, precisa de um novo olhar, de uma drástica mudança a fim de que o processo educacional possa ocorrer de forma satisfatória e eficaz. O autor afirma que para que isso se torne algo real é necessário des-construir a didática desde a teoria que a fundamenta. E a des-construção necessita encontrar-se em uma perspectiva da avaliação. "Transformar a prática avaliativa significa questionar a educação desde suas concepções, seus fundamentos, sua organização, suas normas burocráticas". (SANTOS, 2001 p.19)

Portando, para uma real mudança na didática o autor nos fala que o processo avaliativo precisa de um novo rumo e de uma nova aplicação. Conceituando o termo avaliação HOFFMANN (1995, p. 18) nos diz que:

A avaliação é a reflexão transformada em ação. Ação, essa, que nos impulsiona a novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre sua realidade, e acompanhamento, passo a passo, do educando, na sua trajetória de construção do conhecimento. Um processo interativo, através do qual educandos e educadores aprendem sobre si mesmos e sobre a realidade escolar no ato próprio da avaliação.

Com esse olhar para a avaliação não só a didática seria reconstruída como também todo o âmbito escolar. As mudanças ocorreriam de forma natural e satisfatória, onde professores e alunos seriam influenciados por uma nova educação. E isso não é algo impossível, basta apenas interesse por parte dos agentes educacionais, pois,

Para que a avaliação educacional escolar assuma o seu verdadeiro papel de instrumento dialético de diagnóstico para o crescimento, terá de se situar e estar a serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação social e não com a sua conservação. A avaliação deixará de ser autoritária se o modelo social e a concepção teórica-prática da educação também não forem autoritários.(LUCKESI, 1996, p. 42)

É interessante a reflexão que o autor do artigo faz sobre a avaliação para a des-construção da didática, pois sem dúvida alguma ela é um passo para alcançar reais mudanças dentro do sistema escolar. Quanto a isso, DINIZ (2004, p. 37) contribui dizendo que:

Considera a avaliação como um processo que alimenta o cotidiano escolar, ao mesmo tempo em que dele se alimenta. Tal processo contribui para a estruturação e permanente reconstrução do projeto político – pedagógico da escola, que estabelece um diálogo entre seus agentes na busca de uma revisão das ações do ensino e da aprendizagem, na melhoria da aprendizagem do aluno, em particular, e do projeto da escola como um todo. Todos os envolvidos apresentam opiniões e idéias constituídas ao longo da vida, concepções sobre ensino, aprendizagem e papel da escola, concepções estas relacionadas com suas histórias de vida e suas histórias escolares, que os remetem a modelos de escola, de professor, de aluno e de vivência educativa em geral.

Por mais que pareça que o professor seja o agente dominador do conhecimento, não é bem assim que o verdadeiro processo educacional ocorre, o professor é apenas um mediador, uma ponte, que estar preocupado com uma educação de qualidade, tendo assim uma avaliação de qualidade. SAN'T ANNA (1995, p.27) comenta que "avaliação só será eficiente e eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno, ambos caminhando na mesma direção, em busca dos mesmos objetivos". E ratificando essa idéia DEMO (1995, p. 50) relata que: "a avaliação qualitativa é um processo educativo autêntico, precisamente por não colocar a relação mestre/discípulo, mas mestre/mestre, onde ambos os lados se educam e atuo – educam".

Diante de tais relatos não se faz mais necessário falar sobre a avaliação, porém vale comentar o uso da avaliação na prática educativa, e ESTRELA (1999, p. 124) aborda um pouco sobre isso, afirmando que:

A avaliação no decurso do projeto (educacional) constitui mais um sistema de ação do que um julgamento sobre a ação. Devido ao seu caráter permanente, operatório, participativo e formativo, trata-se mais de uma dinâmica de serviço, de apóio e de orientação (ou de reorientação) das atividades do que de um processo de controle. Procura, assim, criar as condições para que os atores envolvidos no projeto aprofundem os campos de informação e de interpretação de uma dada realidade, dotando-se dos instrumentos necessários para uma tomada de decisão pertinente e eficaz. Ajudar a fazer o ponto da situação, a manter uma linha de rumo, a formular hipótese, a propor alternativas viáveis, a identificar os riscos potenciais, a pôr em prática as correções necessárias, eis alguns dos serviços que a avaliação no decurso do projeto (educacional) pode prestar.

A sistematização da didática é que o professor trabalha atrás dos resultados, onde a "avaliação é uma ferramenta necessária ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir, assim como o é no redimensionamento da direção da ação. A avaliação é uma ferramenta da qual o ser humano não se livra. Ela faz parte do seu modo de agir e, por isso, é necessário que seja usada da melhor forma possível". (LUCKESI, 1996, p.p 118-119)

Vimos que a avaliação é um aliado vital na educação, não só ela, mas como toda a didática que são as formas de aprendizagem, não devendo ser tida como um manual pronto, ela apenas abri portas, direcionado e guiando para o desenvolvimento educacional necessário. A didática contribui para a formação do professor, ampliando conceitos e princípios de outras áreas do conhecimento do processo de ensino; ela também dar suporte ao professor que não deve pensar em improvisar e sim em ser criativo, transformando assim sua prática dentro de questionamentos em suas concepções, fundamentos e organização.

Referências Bibliográficas

DEMO, Pedro. Avaliação qualitativa. 5. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 1995.

DINIZ, André Morais. Avaliação e diálogo na escola infantil – reflexões para o educador. Natal, RN: Offset, 2004.

ESTRELA, Albano; NÓVOA, Antônio (orgs). Avaliações em educação: novas perspectivas. Porto – Portugal: Porto editora, 1999.

HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 18. ed. Porto Alegre: Mediação, 1995.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1996.

SALDANHA, Vera Peceguini. Didática Transpessoal: Perspectivas Inovadoras para uma EducaçãoIntegral.Disponívelem:<http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000397550>. Acesso em 10 mar. 2009.

SAN'T ANNA, Ilza Martins. Por que avaliar?: como avaliar?: critérios e instrumentos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

Gelison* Nome: Gelison Rony França de Jesus
E-mail : gelisrony@hotmail.com
Pedagogo formado pela faculdade adventista da Bahia, pós-graduando em pedagogia escolar pelo Instituto Superior de Educação Programus.



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