Estou na faculdade, e aí? Quais são as regras do jogo?

* Autor: Profª Ilma Mendes de Almeida | Publicado em 11/09/2009


O mundo universitário é bastante diferente do que se vive no Ensino Médio. Para entender esse mundo e ser bem sucedido é preciso ter compreensão de alguns termos que são relevantes nessa nova etapa da vida estudantil.

Primeiro, é preciso entender que o mundo universitário traz consigo muita novidade, muitas expectativas e oportunidades, mas também exige adaptações que, se realizadas com seriedade, garantem o sucesso do acadêmico, dos professores, de toda a turma e, consequentemente, do curso.

Segundo é necessário que o universitário se pergunte: O que eu busco no ensino superior? Estou disposto a me adaptar à dinâmica no ensino superior, que difere, em muito, do ensino médio? O que esse novo ambiente exige para que eu seja bem sucedido? São questionamentos que devem ser feitos e respondidos pelo acadêmico ingressante em uma faculdade ou universidade. O mundo universitário exige maturidade, autonomia intelectual, muita responsabilidade, compromisso, postura universitária e o cumprimento ou atendimento às normas propostas pela academia.

Um terceiro ponto a ser entendido é o processo ensino e aprendizagem. Um não se dá sem o outro. Esse é um processo de mão-dupla. Nesse sentido, é conveniente se perguntar: O que é o processo ensino e aprendizagem? Quais são os atores desse processo? São os acadêmicos? O professor? O saber?
 
Na verdade, para que o processo ensino e aprendizagem aconteçam é preciso compreender que a natureza do ensinar é social e seu fim é assegurar a aprendizagem. Mas é preciso ir para além do ensinar, chegando à ensinagem que pressupõe o aprender que, por sua vez, requer compreensão do conteúdo pelo acadêmico. Assim, nesse processo, temos o professor como mediador entre o saber (conteúdos) e o acadêmico. Ele atua como um provocador que instiga a descoberta, a compreensão dos conteúdos e sua relação com a prática cotidiana. Aprender, portanto, não é apenas assistir a aulas, pois aprender não é uma ação passiva, mas pressupõe movimento interno e externo do acadêmico. Exige informação e exercícios. É preciso estabelecer rotinas de estudo, de buscas, de pesquisas, pois o aprender não ocorre, nem se efetiva de forma mágica. É preciso vencer o desafio da abstração, da generalização e da aplicação, em outras palavras, é preciso buscar a autonomia intelectual.

O mundo universitário exige que o professor seja competente, isto é, tenha conhecimentos, habilidades e atitudes, quesitos sem os quais fica difícil mediar o processo ensino e aprendizagem. Portanto, o professor é um facilitador, um mediador entre o conhecimento e o acadêmico. Deve marcar sua presença ao mobilizar o acadêmico para a construção do conhecimento, chegando à elaboração da síntese e aplicação dos conhecimentos construídos em sala de aula.

Ao acadêmico a exigência que se faz também passa pela competência. É preciso que ele tenha atuação na construção dos conhecimentos, não tenha atitude passiva de pensar que o professor deve ou vai dar os conteúdos mastigados, prontos.Cabe ao acadêmico, com a presença marcante e mediadora do professor, problematizar os conhecimentos em construção, realizar a elaboração de sua síntese dos mesmos e relacionar as formas de aplicação desse conhecimento construído a quatro mãos. Portanto, construção de conhecimento pressupõe parceria, ação colaborativa.

A construção do conhecimento pelo acadêmico vai exigir momentos de pesquisa, de estudo individualizado, participação em seminários, realização de exercícios, atividades de análise, de síntese. Também necessitará de muitas leituras e respectiva interpretação, raciocínio vívido, compreensão, desenvolvimento da expressão oral, da expressão escrita. Percebe-se, então, que toda essa construção de conhecimentos exige seriedade, disciplina, cooperação e o desenvolvimento do processo de autoavaliação.
                           
Então, para que o processo ensino e aprendizagem seja bem sucedido, necessário se faz estabelecer um contrato entre as partes, onde são estabelecidas as obrigações de cada um, tanto do professor, quanto do acadêmico. É o que se chama de contrato didático, segundo Brousseau, (1998), apud Brito Menezes e Câmara dos Santos, (2008).

O que é um contrato didático?  De acordo com Niquini (1999), o contrato didático é um tipo de jogo no qual cada participante tem uma tarefa específica a executar e a não execução da tarefa, proposta a cada um, pode romper com o contrato. Nesse sentido, uma vez que um professor tenha a intenção de ensinar um saber aos acadêmicos, instala-se aí um processo, ou seja, um contrato, em que o acadêmico constrói o seu conhecimento.

Em um contrato didático, temos três elementos que o compõem, que sejam: o acadêmico que é o sujeito ensinado, nascente, aprendente; o professor que é, nesse momento, o sujeito ensinante, sendo este o mediador entre o terceiro elemento do contrato, o saber. Se o contrato didático diz respeito às “negociações que são realizadas em sala de aula para que o saber, organizado e gerido pelo professor a partir das situações de ensino por ele propostas, possa ser apropriado pelos acadêmicos”, Brito Menezes e Câmara dos Santos( 2008), deduz-se, então, que há responsabilidades de ambos os lados a serem cumpridas, pois esse contrato só passa a existir a partir de todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.

Nunca apenas um dos sujeitos poderá ser totalmente responsabilizado pelo sucesso no contrato didático estabelecido, pois pressupõe reciprocidade para seu o êxito. Portanto, o acadêmico é protagonista nesse contrato, sendo co-responsável pela construção de seu conhecimento, de seu saber e, quando cumpre sua parte e busca ser responsável nesse cumprimento, sempre ganha nesse jogo, nessa via de mão dupla que é o processo de ensino e aprendizagem.

Quais seriam então as responsabilidades do acadêmico nesse contrato? Segundo o departamento de Núcleo de Assessoria Pedagógica –NAP-UNISAL-LORENA/SÃO PAULO(2006), o acadêmico, para cumprir a sua parte no contrato didático, deve:

     

Concluindo, as relações entre professor e acadêmico devem se pautar pelo respeito, pela valorização um do outro, pela aceitação conjunta da proposta explicitada no contrato didático, pois a compreensão das regras desse contrato levam ao êxito de ambas as partes, pois o contrato didático, segundo Brousseau (1986) tem como objetivo maior o estabelecimento de uma relação didática em que as partes, professor e acadêmico, desenvolvam e mantenham vínculos que os ajudem no desenvolvimento de um processo ensino e aprendizagem exitoso, porque é impossível ser feliz ou bem sucedido sozinho.

* Profª Ilma Mendes de Almeida: Possui pós-graduação em Psicopedagogia pela Fundação Helena Antipoff/UNIMONTES - Minas Gerais. Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Viçosa- UFV - Minas Gerais . Docente e Pedagoga das Faculdades Santo Agostinho. Experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nas áreas de:direitos humanos, trabalho, educação inclusiva, pessoa com deficiência, atendimento psicopedagógico à universitários, formação de professores,
qualificação, ética e responsabilidade social em instituições privadas e públicas.


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