Avaliação da Qualidade de Vida em Portadores do Vírus HIV

Flávia Anjos de Paula¹, Acácia Emanuela Souza Pinto², Carlos José Oliveira de Matos3, Francisco do Prado Reis4

1Fisioterapeuta, pós-graduada em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela Universidade Tuiuti do Paraná, ²Fisioterapeuta, graduada pela UNIT-SE, 3Fisioterapeuta, Prof. MsC. em Cardiorrespiratória pela UFS, 4Médico, Prof. Dr. da UNIT-SE e UFS

Resumo

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) é uma doença crônica com repercussões físicas e psicológicas, fatores que influenciam a qualidade de vida (QV). Objetivos: Obter um perfil mais preciso sobre a saúde dos indivíduos portadores do vírus HIV, através de dois questionários genéricos para mensurar a qualidade de vida; o Índice de Barthel (IB) e o Medical Outcomes Short-Form 36-item Health Survey (SF-36), bem como indicar a importância da fisioterapia nos possíveis danos que podem estar relacionados à saúde destes indivíduos. Métodos: Foi realizada uma pesquisa de campo de caráter analítico na qual foram entrevistados 40 indivíduos, sendo 26 mulheres e 14 homens, no Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (CEMAR), sendo excluídos 15 pacientes por apresentarem tempo de diagnóstico inferior a 1 ano e o questionário SF-36 obteve uma amostra menor pelo fato de ter sido aplicado a partir do oitavo paciente, apresentando 21 indivíduos excluídos. A amostra foi composta de 25 pacientes e separada em dois grupos, denominados grupo I e grupo II, através do tempo de diagnóstico. O grupo I apresentou tempo de diagnóstico da patologia inferior a cinco anos e o grupo II, tempo ³ a 5 anos. Todos foram submetidos à avaliação da qualidade de vida (19 indivíduos através do IB e SF-36 e 6 indivíduos apenas pelo IB). O IB foi utilizado em 25 pacientes, sendo 12 pacientes do grupo I e 13 pacientes do grupo II. O SF-36 foi utilizado em 19 pacientes, sendo 11 pacientes do grupo I e 8 do grupo II. Resultados: A pontuação do IB revelou que no grupo I 50% apresentou dependência mínima e 50% independência e no grupo II 53,85% apresentou dependência mínima e 46,15% independência. Os escores do SF-36 revelaram que o grupo I apresentou maior pontuação em todos os aspectos avaliados, exceto o item capacidade funcional. O SF-36, ao contrário do IB apresentou resultado estatisticamente significante (p < 0,05). Conclusão: O questionário SF-36 foi mais significante estatisticamente entre os grupos pelo fato de ser mais adequado para a pesquisa. Constatou-se que os indivíduos portadores do vírus HIV na população estudada não apresentaram alterações importantes para a realização das atividades da vida diária, de acordo com os questionários genéricos de qualidade de vida Índice de Barthel e SF-36.

Palavras-chave: AIDS, qualidade de vida, independência, portadores do vírus HIV, atividades da vida diária.

Introdução

O HIV é um retrovírus que causa no organismo disfunção imunológica crônica e progressiva devido ao declínio dos níveis de linfócitos CD4, sendo que, quanto mais baixo for o índice desses, maior o risco de o indivíduo desenvolver SIDA. O período entre a aquisição do vírus HIV e a manifestação da doença pode durar alguns anos, porém, apesar de o indivíduo portador do vírus estar muitas vezes assintomático, pode apresentar importantes transtornos na esfera psicossocial, a partir do momento em que fica sabendo de seu diagnóstico5.

Alguns estudiosos têm discutido que as diversas alterações que ocorrem no sistema nervoso dos pacientes com HIV/AIDS, associadas com depressão e estresse podem influenciar a evolução da doença e as alterações nos estados psíquicos e sociais podem contribuir para aumentar a vulnerabilidade biológica16.

Da mesma forma como em outras doenças crônicas, a percepção da perda de saúde mobiliza nos pacientes sentimentos de angústia. Na infecção pelo vírus HIV a percepção da perda da saúde se faz acompanhar muitas vezes por sentimentos de culpa, de rejeição por parte dos familiares, da fantasia da morte próxima e de reações psicopatológicas como tentativas de enfrentamento da situação1,2.

Todavia, a inexistência de cura para a maioria das doenças crônicas tem mostrado que a mensuração da qualidade de vida é imprescindível para a avaliação de estratégias de tratamento e custo/benefício, tornando-se ferramenta importante para direcionar a distribuição de recursos e a implementação de programas de saúde, os quais, por sua vez, podem privilegiar não só os aspectos físicos dos indivíduos, mas também aqueles relacionados às dimensões psíquicas e sociais, possibilitando à equipe de saúde planejar cuidado integral10.

O Índice de Barthel e o Medical Outcomes Short-Form 36-item Health Survey (SF-36) são dois importantes instrumentos de mensuração da qualidade de vida.3,6,15 Os dois são questionários genéricos indicados para a avaliação da qualidade de vida em doenças crônicas, como é o caso da AIDS, fibromialgia, insuficiência renal crônica1.

No caso do HIV os benefícios de uma atuação preventiva do fisioterapeuta podem ser a melhoria da qualidade de vida do indivíduo, maior produtividade e entusiasmo, assimilação do conceito de auto-cuidado pelas orientações fornecidas por este profissional, sensação de bem-estar e melhora da auto-estima12.

O objetivo do tratamento fisioterapêutico para pacientes portadores do vírus HIV é a minimização dos efeitos deletérios decorrentes da evolução da doença e promover adaptação das suas limitações para o desempenho das atividades da vida diária (AVDs). Os requisitos para o fisioterapeuta prescrever o exercício baseiam-se no conhecimento dos princípios e resultados do tratamento, estar apto para fazer uma avaliação funcional do paciente, saber o grau de debilidade, seu potencial de recuperação, complexidade, precauções e contra-indicações7.

É extremamente importante a inclusão do fisioterapeuta numa equipe multidisciplinar para a busca da melhoria da qualidade de vida dos portadores do vírus HIV, haja vista que este profissional tem competência para reabilitar estes pacientes dentro dos limites de sua capacidade funcional e promover melhora no nível de independência promovendo adaptação de acordo com a sua limitação para a realização das AVDs12,7.

O presente estudo teve como objetivo obter um perfil mais preciso sobre a saúde dos indivíduos portadores do vírus HIV da cidade de Aracaju, bem como indicar a importância da fisioterapia nos possíveis danos que podem estar relacionados à saúde destes indivíduos.

É necessário a mensuração da qualidade de vida através de instrumentos devidos para os portadores do vírus HIV, dada a importância da coleta desses dados, uma vez que na literatura científica, pouco material sobre o assunto se encontra disponível.

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